A Ordem
Serviços Regionais do Norte
Ética e Deontologia
Acesso à Profissão
Membros da Ordem
Supervisão e Qualidade
Publicações
Departamento de Formação
Departamento Técnico
Normativo Técnico
Legislação Comunitária
Biblioteca
Notícias
Protocolos e Outras Divulgações
Links com Relevância para a Profissão
Contactos
Área Reservada
X Congresso
XI Congresso
XII Congresso
XIII Congresso
Information about OROC
e-Learning





Revista


32

Janeiro/Março 2006
Acontecimento - Discurso do novo Bastonário

 O acto de posse acabado de efectuarestá legitimado pelo voto democrático da maioria dos Revisores com capacidade eleitoral activa que, no passado dia 26 de Outubro de 2005, participaram nas eleições mais disputadas de sempre para os órgãos sociais da Ordem.
 Com uma grande percentagem de participação (de cerca de 80%) os Revisores expressaram, de forma clara e inequívoca,a confiança na nossa candidatura e nos restantes membros dos órgãos sociais que neste acto acabam de ser empossados. Numa conjuntura internacional particularmente difícil para a nossa profissão, os resultados do acto eleitoral de 26 de Outubro conferem-nos uma responsabilidade acrescida que assumimos de forma consciente e determinada. Ao votarem maioritariamente numa candidatura liderada por alguém que,nestes últimos 8 anos, foi o responsável nacional pelo Controlo de Qualidade e pela Supervisão da Actividade Profissional da OROC, interpretamos que os Colegas Revisores quiseram, também, manifestar que estão disponíveis para continuar a apoiarum projecto que visa alcançar a melhoria da qualidade do seu trabalho, o aumento da transparência e o reforço da credibilidade da nossa actividade profissional.
 Continuaremos apostados em prosseguir por este caminho dando sequência a uma ideia global de mudança que procuraremos concretizar num clima de estabilidade.
 Durante os últimos dois mandatos tive o privilégio de viver intensamente o processo de mutação que a nossa actividade profissional tem vindo a sofrer, sobretudo a partir do ano 2002 nos Estados Unidos e, mais recentemente, na União Europeia.
 Todos concordarão que os acontecimentos ocorridos nos últimos anos, e que tiveram maior expressão nos EUA e na Itália, abalaram fortemente a credibilidade da profissão ao porem em causa os três pilares em que ela se encontra alicerçada: a integridade, a competência e a independência. Sempre estivemos convencidos e a realidade tem vindo a demonstrá-lo que, apesar de tudo, o verdadeiro epicentro do “sismo” não estava localizado na nossa profissão.
 Todavia, se outras razões não tivessem existido, tais ocorrências justificaram plenamente uma intervenção concertada de reguladores e supervisores no sentido de se procurar restabelecer a confiança do mercado e de defender o interesse público.
 Ao nível da União Europeia este processo culminou designadamente com umaprofunda revisão da 8ª Directiva a qual,depois de ter sido aprovada pelo Parlamento Europeu e pelo Ecofin, se encontra a aguardar publicação.
Estamos todos conscientes que a nova 8ª Directiva irá reformular profundamente o estatuto e o exercício da nossa actividade profissional e introduzir um novo sistema de supervisão pública da profissão liderado por entidades exteriores, em que os Revisores deverão estar minoritariamente representados.
Não podemos deixar de salientar que,certamente não foi por acaso que, em Portugal, nada de relevante ocorreu que tenha afectado a credibilidade dos Revisores.  De facto, a supervisão exercida tanto pelas entidades supervisoras como pela Ordem, já estava implantada e em funcionamento,muito antes de preconizada pela Directiva. Neste aspecto, quando comparamos as práticas adoptadas na maioria dos países da União Europeia a 25, com aquilo que tem vindo a ser feito em Portugal, ficamos com alguma tranquilidade e sentimo-nos claramente integrados no pelotão da frente.
 A intervenção activa da Ordem junto dos Revisores e os resultados alcançados no que respeita ao controlo da actividade profissional constituem créditos que têm sido publicamente reconhecidos, dando-nos razões para acreditarmos que, sem prejuízo de pequenos ajustamentos, a Ordem irá continuar a superintender em todos os aspectos relacionados com a profissão e a exercer plenamente as suas actuais atribuições e competências, na defesa do interesse público.

"Continuaremos apostados em prosseguir por este caminho dando sequência a uma ideia global de mudança que procuraremos concretizar num clima de estabilidade".



No mandato que agora se inicia iremos focalizar a nossa acção em três planos distintos:

  1- na definição e prossecução dos objectivos estratégicos da profissão;
  2- na adopção de um conjunto demedidas tendentes a promover a harmonização das nossas práticas profissionais com as preconizadas pela 8ª Directiva;
 3- na concretização de um conjunto de iniciativas e propostas tendentes a introduzir sensíveis melhorias ao nível dosprocedimentos internos e ao nível da visibilidade externa da Ordem.
 
 Consideramos não ser este o momento nem o lugar adequado para descrever as acções que nos propomos realizar durante o nosso mandato mas, ainda assim, gostaríamos de salientar as linhas orientadoras que consideramos mais marcantes da nossa actuação futura.

A Ordem precisa de adoptar uma estratégia que perdure para além do ciclo eleitoral e que envolva todos os Revisores, independentemente da forma de exercício da sua actividade profissional.  É essencial estabelecer um alinhamento estratégico, ou seja uma ligação clara entre os objectivos estratégicos da profissão e a sua forma de concretização.

Teremos que saber antecipar as tendências europeias do mercado profissional ecriar alternativas e planos de contingência para fazer face a eventuais constrangimentos que possam vir a ocorrer ao nível da profissão.
 Importa, aqui, salientar a relevância social da nossa Ordem, em que apesar de o número de Revisores inscritos ser de, apenas, um milhar trabalham, contudo, no âmbito desta actividade cerca de 5.000 licenciados e quase 1.000 administrativos.
 Neste mandato teremos de desenvolver importantes acções:

 -  no sentido de se proceder a uma  reorientação do enfoque da Ordem no mercado profissional que pretende satisfazer;

 - no sentido de chamar a atenção do Governo para o interesse público em alargar a nossa intervenção profissional a entidades que, a nosso ver, deveriam passar a estar sujeitas a revisão legal das contas. Refiro-me aos hospitais públicos,às autarquias locais, aos fundos autónomos, etc.;

"Teremos de continuar a apostar no reforço da credibilidade da nossa profissão, protegendo-a das ameaças que, cada vez mais, estão associadas à complexidade da envolvente sócio-económica das empresas, bem como dos riscos que podem ocorrer sempre que outros objectivos se sobreponham aos interesses profissionais."


 - no sentido de se promover uma maior diversificação dos serviços a prestar pelos Revisores proporcionando mais segurança e estabilidade sobretudo às estruturas profissionais de menor dimensão, sempre no respeito pelo princípio da independência profissional.
 Teremos de continuar a apostar no reforço da credibilidade da nossa profissão, protegendo-a das ameaças que, cada vez mais, estão associadas à complexidade da envolvente socio-económica das empresas, bem como dos riscos que podem ocorrer sempre que outros objectivos se sobreponham aos interesses profissionais.
 Teremos que ser capazes de estabelecere alargar consensos sobre os grandes temas que, hoje em dia, se colocam à nossa profissão:
 - o modelo de supervisão pública da profissão;
 - a futura adopção das normas inter-nacionais de auditoria;
 - a possibilidade legal de os Revisores que integrarem Comissões de Auditoria, não serem legalmente obrigados a suspender a sua inscrição como ROC;

- a melhoria dos modelos de fiscalização das sociedades, no âmbito de um novo normativo sobre o corporate governance;
- a limitação da responsabilidade civil profissional cuja discussão a nível internacional está na ordem do dia. O Programa de acção que nos propomos levar a cabo durante o próximo triénio assenta na clarificação do posicionamento estratégico da Ordem e inclui, ainda, um conjunto de medidas diversificadas que visam particularmente o seguinte:

- Reforçar e melhorar a imagem e a visibilidade da Ordem;
- Reaproximar os revisores da nossa Ordem e ouvir, mais de perto, as suas propostas e as suas críticas;
- Concluir o processo de informatização e a reorganização interna da Ordem;
- Promover uma profunda renovação dos programas de formação, convertendo-os num sólido sistema de formação contínua;
- Rever e melhorar o regime de acesso à profissão de forma a acentuar a vertente profissional;
- Assegurar uma mais efectiva presença internacional da Ordem na FEE e na IFAC e um maior intercâmbio e cooperação com as associações profissionais congéneres, sobretudo com as de origem europeia;
- Manter boas relações institucionais com as entidades supervisoras;
- Garantir a dignidade e o prestígio da profissão, punindo sem hesitação, todos os que violem os seus deveres profissionais. A tarefa que nos espera será dura, disso não tenho dúvidas! Conto com a qualidade, a experiência e o empenhamento desta grande equipa com a qual me apresentei a sufrágio e que mereceu a confiança da maioria dos Revisores.

 Com este acto de tomada de posse dos novos Órgãos Sociais inicia-se um novo capítulo da vida da Ordem.

 Os Órgãos Sociais hoje empossados estarão ao serviço de todos os Revisores, independentemente do sentido do seu voto.

 Contamos com o apoio e o empenhamento de todos os Colegas para concretizarmos neste mandato, o Programa de Acção sufragado no acto eleitoral que legitimou esta tomada de posse.

Aos membros que integram os restantes Órgãos Sociais, e que hoje foram também empossados, quero agradecer a confiança manifestada, a sua disponibilidade e o empenhamento com que irão exercer os seus cargos.

Ao pessoal e aos demais colaboradores da Ordem quero dizer-lhes que contaremos com o vosso profissionalismo e a vossa dedicação.

Aos Senhores Secretários de Estado e a todos os Convidados quero agradecer a honra que nos deram com a vossa presença.






« voltar